Você não pode liberar as drogas pela metade, como o governo anda discutindo. A proposta atual, de não condenar mais os pequenos traficantes, teria como resultado criar uma casta inteira de semibandidos inimputáveis, pessoas entre a lei e o crime e ainda assim acima da lei - soldados rasos que são o sonho de qualquer organização criminosa.O que aconteceria em Chicago dos anos 30 se, ao invés de acabar a Lei Seca, continuasse proibido fabricar cerveja mas qualquer um que fosse pego arrastando um engradado não fosse mais preso? Aumentaria ou diminuiria o lucro de quem fabrica? Seria mais fácil ou difícil distribuir? Ficaria a máfia mais ou menos poderosa?
Mesmo se estiver correta a tese nefelibata, e existe mesmo um abismo entre distribuidores e traficantes que pegam em armas, os pequenos continuariam a morrer por dívidas e não teriam como recorrer ao PROCON quando o fornecedor colocar coisas inadequadas em seu produto.
As facções do tráfico no Rio operam no varejo. Não são o que foi um Cartel de Medelin, uma organização voltada à exportação. Isso quer dizer que todo o traficante das favelas já é de certa forma pé-de-chinelo, um vapor, e não um Pablo Escobar. Também explica a irresponsabilidade deles, o fato de viverem em guerra constante, diferente da pax mafiosa que organizações melhor estabelecidas tentam manter - o domínio das facções do Rio dura pouco, as lideranças são pueris, morrem cedo ou comandam da cadeia, e nao há muita sofisticação nas operações exceto tomar locais, como num jogo de estratégia simplista. Dito de outra forma, o que há no Rio é muito dinheiro indo parar na mão de bandido simplório, sem estratégia e inexperiente.
Apesar da proposta atabalhoada de seu governo, a esquerda seria capaz de concordar comigo numa liberação total. Vamos analisar então a outra parte, os argumentos conservadores contra o fim da proibição das drogas:
1. Liberar as drogas não fará dos traficantes menos bandidos;
2. Liberar as drogas aumentará o consumo de drogas, causando um problema social pior que o tráfico;
3. Liberar as drogas não pode ser feito em um só país, transformaria o Brasil em um corredor de tráfico internacional.
Liberar as drogas não fará dos traficantes menos bandidos, mas tirará deles sua maior fonte de renda. Sem os lucros exorbitantes do tráfico, as facções diminuiriam em número e se tornariam mais discretas em suas ações. Ou alguém é mesmo capaz de imaginar uma guerra de gangues pela distribuição de botijoes de gás ou TV a cabo nos morros? Que o negócio de botijões de gás sustente a compra de mísseis Stinger?
A Lei Seca criou a máfia de Chicago e essa máfia desapareceu com o fim da Lei Seca. Parece um tanto óbvio que a máfia será mais poderosa quando qualquer um que queira tomar uma cerveja precise financiar a máfia para isso. Alguém poderia, e deve ter dito então: "amigo, sua cerveja está matando criancinhas". Se, seguindo essa lógica, as pessoas deixassem de beber, para sempre estaria sedimentada a tirania dos puritanos e toda a disputa se resolveria com esse tipo de lógica circular. Dizem hoje os conservadores: cheirar pó ou tomar E financia o tráfico, pois essas substâncias são proibidas e só podem ser obtidas de traficantes. Assim sendo, é moralmente errado usar drogas. Portanto, as drogas devem continuar proibidas - e continuar sustentando traficantes.
O segundo argumento tem força limitada. Se eu colocar uma pedra de crack na sua frente agora, você fuma? Por que não? E se for um vidro de benzina? Tomar uma cartela de Cataflan e ficar bêbado? Lamber um sapo? Dar um tapa no peito prendendo a respiração e desmaiar? Não?
Qualquer um pode cheirar cola de sapateiro, não é proibido por lei. Como você, careta, enxerga uma pessoa que faça isso? Pois usuários de heroína e crack já são párias, mesmo entre pessoas que fazem uso recreativo de drogas. Na Holanda aconteceu de a região designada para usuários de heroína virar uma espécie de cracolândia, um lugar proibitivo. Isso tem a ver com a natureza do consumo de heroína, assim como o de crack, que são drogas de "junkies", de quase mendigos, ligadas à degradação e auto-destruição.
Na época em que a maconha e cocaína foram proibidas, primeiro nos USA, eram drogas de negão pobre, dos "juke joints" e, racismo à parte, o estigma de degradação que tinham era similar ao do crack hoje. A cocaína inclusive foi, de 1914 a 1937, meio que liberada só para brancos. Durante os anos 20, assim, esteve ligada aos finórios e melindrosas que protagonizaram a prévia da revolução sexual. Em 1937, a proibição dessas drogas foi uma espécie de prêmio de consolação às tias carolas que perderam sua amada Lei Seca. Ao proibir as drogas, acreditavam estar proibindo a degradação social e moral - o que, para qualquer um que tenha visto um mendigo com uma garrafa, é no mínimo tolo.
Hoje em dia, muitos conservadores reconhecem que maconha é quase inofensiva. A favor de sua proibição eles trazem o argumento de que ela "leva a outras drogas". Seria por acaso porque, sendo proibida, a maconha leva ao traficante? Se a questão é que uma droga faz com que a pessoa tenha curiosidade por outra, a primeira e universal experiência de ficar "maluco", a droga que mais leva a outras drogas, chama-se álcool - você pode dizer que, entre usuários de crack, 89% usaram maconha antes, mas certamente 100% beberam antes. Nas festas onde se consomem drogas, há quem prefira não misturá-las, mas álcool é universal.
Nada que se aplica a outras drogas não pode ser aplicado ao álcool. O álcool não é uma droga leve, leve é cigarro ou o café. Ao volante, você pode confiar mais em alguém que tenha cheirado 1 grama de pó que quem tenha bebido uma garrafa de cerveja. Muitas mortes são causadas por consumo de álcool, mas proibir o álcool é, muito correta e adequadamente, considerado um abuso ao direito individual, um ato autoritário. E, ainda assim, muito asno que zurra ao ouvir falar em Lei Seca dá coices ao ouvir falar na liberação de outras drogas, incapaz de aceitar a semelhança. Temos, sim, como dizem, tradição em beber álcool, milênios convivendo com a droga - e de pouco adianta, bêbados irresponsáveis surgem todo o dia, na mesma proporção de sempre. É ver um sem-teto abraçado a uma garrafa de cachaça e saber que isso não é melhor que a cracolândia.
Por fim, existe o argumento do corredor de drogas, que o Brasil não pode liberar sozinho ou se tornaria um pária. Duvide-o-dó. Haveriam charges de cartunistas republicanos e debates irados no rádio e na Fox News, mas seríamos muito mais provavelmente considerados um exemplo. Com a condescendência para os exóticos, somos considerados corretos mesmo quando fazemos tudo errado, brincando de malabarista de granadas com Irã, Venezuela, Síria e Coréia. Liberar as drogas nos faria uma força de pressão para que os Estados Unidos façam a mesma coisa - e desta vez estaria o Brasil mobilizado por uma causa digna.


63 comentários:
DORGAS MANO!
Um dos seus melhores textos. Com certeza o mais contundentemente correto.
João Paulo Rodrigues
Olha liberar o consumo e proibir o tráfico é o mesmo que proibir a venda e permitir a compra. Não dá.
Ao volante, você pode confiar mais em alguém que tenha cheirado 1 grama de pó que quem tenha bebido uma garrafa de cerveja.
chest- é ruim, hein?
Muitas mortes são causadas por consumo de álcool, mas proibir o álcool é, muito correta e adequadamente, considerado um abuso ao direito individual, um ato autoritário.
chest- álcool já foi proibiudo ao volante , com resultados aparentemente positivos. (o que não fala a favor da liberação de outras drogas).
A questão do álcool é que álcool é alimento, tem caloria, tem uma tradição gastronômica por trás de seu consumo. Ele tem gosto e energia, além do poder inebriante e viciante. A cerveja era conhecida como o pão líquido, o álcool teve importante papel na conservação de safras, pois a cerveja não consumida durava mais que pã velho .
Cânhamo, papoula e folha de coca também são tratados como alimento, Chesterton. Principalmente o primeiro. E o caso da cocaína é verdade - em doses menores, ela não impacta os reflexos como o álcool. É questão do efeito de cada coisa - maconha e volante seria péssimo também. Aí creio que cabem as mesmas regulamentações que já existem para álcool. Não espero que se considere adequado fumar baseado no pátio da empresa ao meio-dia.
Quanto às realmente pesadas, essas, como eu disse, são de interesse bastante de nicho, e essas pessoas tariam ferradas de um jeito ou de outro. Os caras que estão na cracolândia achariam outra forma de se arrebentarem se não fosse o crack.
Canhamo dá fibras, o pessoal ingere por sua propriedade de deixar doidão. Assim como café, não tem caloria, e sua ingestão é por efeitos no sistema nervoso central. (as xantinas, idem- café, chocolate, chás).
A coca, então, mascada não é ingerida , logo não é alimento calórico, é um cafezinho porreta para os bolivianos. Não é preciso lembrar que muitos usuários ficam desnutridos, pois todas catecolaminas inibem o apetite.
As anfetaminas foram usadas por pilotos na guerra quando tinham missões muito longas, assim como os caminhoneiros usam rebites, e creia-me, quando o efeito passa, o motorista chapa.
Marton, eu não sou contra a liberação, sou contra a idéia de que isso vá resolver alguma coisa.
Eu gosto da cena do Eliott Ness, que quando perguntado sobre o que faria já que a lei seca estava com os dias contados, respondeu:
- Acho que vou tomar uma dose...
Live and let die. (James Bond)
Nas discussões com os esquerdopatas da internet sempre respondo que assim que a droga for liberada vou fazer uma empresa para explorar capitalisticamente os usuários.
Não, não vou consumir.
Resolver milagrosamente não vai, eles vão continuar bandidos - só que haverá menos oportunidades e a coisa deve diminuir de tamanho. Onde está a máfia de Chicago em 1942?
Provavelmente vai piorar num primeiro instante, do desespero dos bandidos, e melhorar a médio prazo. Roubar cargas ou bancos 0 coisas em que o PCC também se especializou - são atividades de risco muito maior que vender um pacotinho para um boy. Não haverá tantos voluntários, e muito mais bandidos acabarão caindo.
Chesterton tá precisando de um "ataque liberal", tá não?
qual é o problema de se explorar capitalisticamente os usuários, como se fossem um bando de débeis mentais?
Não existe todo um universo capistalista ao redor do Alcoolismo, de médicos à centros de tratamento, de remédios alopáticos à igrejas?
Fabio, hoje os estados unidos estão à anos luz da gente... no mínimo, lá há a vantagem dos estados terem autonomia na decisão (algo que estava sendo desrespeitado na adm. bush, mas que o Obama fez questão de respeitar pois já está sendo socialista o suficiente em outras frentes hehe)...
lá, hoje, já existem vários eventos acontecendo anualmente já em preparo para a liberação comercial. Nos estados onde a droga já pode ser consumida por razões médicas, já existe justamente isso : todo um ecossistema comercial ao redor, plantio, distribuição, comercialização, acompanhamento médico, etc...
na moral, quando tudo isso passar, quem defende algo DIFERENTE tem de ser tratado igual a nazista, para equilibrar as coisas.
Qualquer opinião diferente, nós que defendemos alternativas somos logo chamados de doidões, e sabe-se-lá mais oque. Enquanto isso, na casa da dinda... o presidente enche o pote de uísque 30 anos bancado com o meu, o seu, o nosso...
abs
feijão
no caso da cocaina, ela se dá bem aqui no brasil, digo a folha? ou os usuários terao que comprar dos negos das FARC?
E politicamente, entao vc acha que nao haveria nenhum revés por um mercado do 'tamanho do brasil' poder VENDER drogas? libera, mas proíbe a venda para o exterior? num dá né? mas acho que boa parte da especulacao negativa quanto aa liberacao é exagerada.
[mas, falando em liberdades individuais, devemos ter cuidado, a reforma liberal teria de vir primeiro, lembremos que 95% dos maconheiros embananados tendem a ser comunistas. só....]
qual é o problema de se explorar capitalisticamente os usuários, como se fossem um bando de débeis mentais?
chest- um problema moral e profissional que teria que superar.
GaBiRu tem um ponto defensável.
Outra idéia errada é que drogas pesadas (cocaine and up) causam menos problemas que o álcool.
Creiam-me, sei na prática, tanto pessoal quanto profissional, do que estou falando.
Como médico talvez então você possa nos lembrar o que acontece se você tirar de uma vez, cold turkey, o álcool de um viciado. E dizer se acontece a mesma coisa em se tirar a cocaína, heróina ou metanfetamina.
Nada, na maioria das vezes, nada.
Oitenta por cento dos viciados, dependentes pesados, desses que são julgados podem ser subornados com dinheiro para parar de consumir suas drogas. Quinhentas libras pegou 80% no ato de mentir e fazer drama para ter a droga de volta, sem apresentar nenhum msintoma da abstinência. Os outros 20% provavelmente sairiam do hábito nocivo se fossem mil as libras.
Leia o teodor darlymple a respeito.
Creia-me, Marton, vivi na carne, viciados em alcool são antes de tudo artistas da Broadway. Self pity boys.
http://www.city-journal.org/html/eon2006-08-25td.html
http://www.city-journal.org/html/7_2_a1.html
http://www.spectator.co.uk/essays/all/3212846/part_2/withdrawal-from-heroin-is-a-trivial-matter.thtml
Olha, o primeiro problema nessa historia das drogas eh quando se comeca a dizer que eh uma ´guerra perdida´. Poderiamos dizer que a guerra contra assasinatos esta perdida?
E mais, álcool obviamente eh uma droga. /o fato da proibicao ter falhado nao nega esse fato. Na minha opiniao, a nossa historia com o álcool eh justamente a maior justificativa para nao liberarmos qualquer outra droga (alias, o que acontece com o cigarro eh mais uma otima contra-prova de como certas proibicoes funcionam mesmo qdo extremamente dificeis).
A violencia do trafego migraria assim como a mafia de chicago migrou para jogos (nao custa lembrar quem fundou Las Vegas). O caso de NY mostra que a solucao para violencia, organizada ou nao, eh controle social maior e nao o relaxamento de regras sociais.
Eu queria dar pitacos mas deu uma preguiça de escrever sobre isso. É mais ou menos o que o Paulo falou.
Na URSS, os traficantes eram duramente reprimidos. Ah, mas é que Stalin era malvado, né? Onde já se viu dar mais valor às pessoas inocentes que aos criminosos? Além disso, o Capitalismo, submetendo as pessoas à alienação e forçando-as a viver vidas sem sentido e sem perspectivas, acaba levando muitas pessoas ao caminho das drogas. Como no sistema capitalista onde há demanda haverá oferta e a ganância impera, acontecem tragédias horríveis. Nenhuma política que não se baseie na punição pública dos traficantes e na humanização do sistema capitalista e na transição para um Estado Socialista poderá resolver o gravíssismo problema de segurança e de saúde com que nos defrontamos agora. Só liquidando fisicamente os traficantes e acabando com a alienação dos usuários-embora punições duras para os usuários possam se fazer necessários em um primeiro momento- a ameaça das drogas será vencida. O consumo e o tráfico dessas substâncias são sintomas indisfarçáveis da podridão da ordem burguesa.
Tiago
Então o argumento está em: o estado deveria proibir o álcool também, a Lei Seca - e as inúmeras iniciativas soviéticas de banir o álcool - eram uma boa coisa a princípio, mas falhou porque o consumo de álcool estava enraizado demais e as pessoas simplesmente davam um jeito. Hmm...
Note que eu nem entrei no mérito da questão se o estado tem o direito de dizer que você não pode fazer algo em nome de sua própria saúde.
Estou até o momento supondo que vocês estão mais preocupados com o que "os drogado" vão fazer aos outros que a si memsos. Mas, se é competência do estado dizer à pessoas adultas o que elas devem ou não colocar em si mesmas, o que há de errado em se banir a gordura saturada da vida das pessoas? Probir o açúcar refinado? Sejam honestos, vocês conservadores parecem achar que os vícios seus são sempre santificados pela tradição, venais, inocentes, e que se imiscuir neles é ser stalinista - mas por que fazem isso tão desavergonhadamente com os vícios alheios.
Mas vamos lá, se o problema não é o que alguém faz a si, mas, sob influcência faz aos outros, o que mais deve ser proibido? Existem muitas outras coisas que mudam o comportamento das pessoas além das drogas. Açúcar, café, videogame, filmes excitantes, futebol, livros, ideias. Muitas ideias são propensas a causar paixões políticas. Vamos proibi-las.
Mas vocês estão me provando que socialistas e conservadores são duas faces do mesmo ídolo. Agem pelos mesmíssimos princípios morais de que nós pertencemos "à sociedade", não a nós mesmos, que já nascemos devendo a um "contrato social" ou algo do gênero. Que o indivíduo possa ser, portanto, sacrificável para a sociedade - só discordam qual tipo de sacrifício, qual tipo de indivíduo, e qual a sociedade ideal. Quer dizer, isso nem tanto - são sociedades cheias de escoteiros, de um jeito ou de outro.
Não vou me alongar para expôr o que a experiência própria e o círculo de amizades já me deixou bem claro: QUem quer a abertura e liberação do comércio das drogas é apenas C*ZÃO que tem medo quando os próprios ( ou seus filhos ) têm que lidar com esta gente terrível e feia que trafica drogas. Todo o resto dos argumentos, propositalmente ou não servem como bons escapes morais para transformar a covardia destes em virtudes fundamentadas.
Ângelo, ponha em outras palavras: o dono deste blog - Not Tupy - discorda de você, portanto só pode ser um boy frangote querendo comprar pó na farmácia - que ridículo, que cuzão!
Tou gostando de ver tantas revelações numa só "discussão" - não tem jeito, tem aspas mesmo.
10 drogas no volante
Recomentando uma parte, para maior ênfase:
"Todo o resto dos argumentos, propositalmente ou não servem como bons escapes morais para transformar a covardia destes em virtudes fundamentadas."
Não creio que você seja um fundamentalista pela liberação das drogas, na verdade nem creio que você seja um usuário. Por isto que repito também outra coisa que já tinha escrito antes:
"Não vou me alongar para expôr o que a experiência própria e o círculo de amizades já me deixou bem claro". Aqui falo de coisas e pessoas reais com quem já tratei.
mas martao, se a discussao é sobre liberdades individuais, o assunto das drogas deveria ser uma CONSEQUENCIA e nao o PRIMEIRO PASSO. só isso.
entretanto, fumar um baseado ser um 'ato violento' que precisa ser reprimido já é demais, nao? nao quero que meus filhos fumem, entao devo achar correto proibir que o vizinho fume? bem fácil, nao?, deixar a 'educacao' na mao das leis, do estado... pena que nao seja nem um pouco liberal.
digo, 'educacao dos filhos' na mao das leis, do estado nao é liberal. muitos pais nao sao coniventes com bebedeiras dos filhos, entao tb nao seriam com 'fumar um'. vai de CADA família. agora, achar que criar filhos é uma moleza, é só largar na escola o dia todo, trancar em casa de noite, e esperar que 'de tudo certo' aí sim, é coisa de c*zao...
Ao contrário, Gabiru, o estado natural das coisas não é "proibido", é? Como é que os antigos, aqueles bárbaros, não viviam se arrastando pelo próprio vômito até 1914, quando tudo era permitido ainda?
Parece que os conservadores tem um nojo visceral dos viciados e não são capazes de por a cabeça no lugar nessas horas, queimando a própria língua. Olha o tamanho da incoerência de um Reinaldo "liberal" Azevedo.
Se alguém quer proibir drogas, não acredita que as pessoas adultas sejam totalmente responsáveis por si, mas que o estado deva pajeá-las. Isto é, essa pessoa parte das mesmas premissas que um socialista, só discorda em que tipo de questões deve o estado deve ser paternalista com as criancinhas, e qual é a "cultura saudável" para a qual os burocratas devem nos conduzir. Isso não é liberal nem aqui nem na China. Bem, talvez na China.
Marton,
Sua critica de que eh uma intervencao do Estado em nao deixar que pessoas se matem eh valida e eu aceito a responsabilidade. Acho que ja se foi a epoca em que eu procurava justificar qualquer atitude ou opiniao em principios puros. Acho que excecoes nao sao somente necessarias, elas sao inevitaveis.
E eh sim uma slippery slope e parte da dificuldade de qualquer democracia eh nao deixar escapar ao extremo. Por isso que eu sou contra Obamacare e outras coisas do tipo que sao pratos cheios para os abusos que vc citou (controlar fast food, acucar, etc).
[]s
Tem só uma droga que deveriam proibir: o time do Botafogo. É um vício que leva á mais repulsiva degradação...
João Paulo Sofredor Rodrigues
Isso só dará certo SE a liberação não implicar um aumento tão grande dos casos graves de dependência química a ponto de ultrapassar a capacidade da sociedade, do estado e do caralho-a-quatro de lidar com o problema. Pode ser um temor exagerado, infundado, mas, nessa possibilidade apocalíptica, sim, é que, sob o pretexto de um alargamento da liberdade individual, o problema seria mesmo jogado no colo dos outros.
E acho que ninguém aqui gostaria de viver num mundo que se assemelhasse a um filme do George Romero.
Se é para proibir o Botafogo, o Flu tem que ir junto.
DD, essa imagem não é só infundada, é completamente ridícula.
É o tipo de paranoia que acomete quem acredita que uma decisão burocrática de proibir alguma droga tem a força de um decreto divino, separando das dezenas alteradores de consciência que você tomou na vida as poções mágicas do diabo, as "drogas" propriamente ditas, as que fazem zumbis.
"Se alguém quer proibir drogas, não acredita que as pessoas adultas sejam totalmente responsáveis por si, mas que o estado deva pajeá-las."
A maior parte dos adultos é responsável, mas alguns não são: daí, cadeias, polícia, etc. Além disso, o Estado é necessariamente o comitê executivo da classe dominante. Sem a atuação do Estado em assuntos de organização social, a Sociedade se torna acéfala e rudimentar, incapaz de lidar com as complexidades e dificuldades inerentes ao atual estágio das forças produtivas.
Tiago
Tiago
O Bostafogo é uma droga. O Fluminense é uma intoxicação.
João Paulo Chorão Rodrigues
Marton, o individuo não se sacrificar pela sociedade equivale tb ao individuo não sacrificar a sociedade por ele, afinal a sociedade é composta de individuos. Esse seu argumento é um dólar furado.
Como é que os antigos, aqueles bárbaros, não viviam se arrastando pelo próprio vômito até 1914, quando tudo era permitido ainda?
chest- porque eram cristãos devotos....
Se alguém quer proibir drogas, não acredita que as pessoas adultas sejam totalmente responsáveis por si, mas que o estado deva pajeá-las.
chest- não, Marton, o estado deve proteger aquelas que realmente são doentes (poucas) da turba irada que irá linchar os drogados inconvenientes. Se a pessoa é forte o suficiente para se drogar, tem que aguentar no osso a reação daqueles que prejudicou. As malas maiores vão acabar assassinadas, e aí? Que que o estado vai fazer? Vai ter que intervir?
Se o cara quer se drogar, e drogado resolver o palhaço, vai apanhar e não pode recorrer a justiça. Se ele abre mão de um lado do estado, tem que abrir mão do outro. Estado mínimo não quer dizer estado ausente.
e drogado resolver o palhaço = e drogado resolver bancar o palhaço
(sim, bebum incomodando a mulher do outro, por exemplo)
Devotos o bastante para realizar pogroms, mas não para evitar capturar, traficar e açoitar escravos, evitar submeter povos inteiros ao jugo imperialista, evitar explorar camponeses e operários ou deixar de sangrar o Mundo em guerras de conquista. Para não falar que povos não-cristãos tinham um monte de opções de estupefacientes. Fica claro que a religião não só é o ópio do Povo, também é o LSD dos rea-cionários, com direito a viagens ao mundo mágico e inexistente em que a religião fez mais bem que mal ao Mundo.
Mas que diabos, Chesterton e todos os outros, que mal o doidão está fazendo aos outros no ato de se drogar em si? Vocês falam em responsabilidade com os outros, okay, mas qual responsabilidade, cacete? No que cheirar benzina até vomitar no tapete de casa faz mal aos vizinhos?
Incomodar a mulher dos outros, sair dando porrada, matar a família e ir ao cinema, tudo isso já é crime pela lei comum. Mas ficar louco não conduz automaticamenet a atropelar cinco pessoas no ponto de ônibus - ou, vocês podem ter certeza, já estaríamos num filme de Mad Max. Eu sou a favor, inclusive, que drogas sejam agravante para qualquer crime - não sabe beber, sai da mesa.
Amigo, eu tenho um parente que foi proibido de praticar a anestesiologia por causa disso. Tá bom o exemplo ou quer mais?
Cheirar benzina faz mal a esposa, aos filhos, aos amigos...os outros.
Uma entidade PRIVADA aplicando suas regras, que um funcionário não pode estar lá e ser viciado em benzina.
Agora, se é para impedir que nós nos magoamos una aos outros, o governo deve, portanto, proteger os amigos e a família de um cara de toda a inconveniência? Vamos proibir palitar os dentes na mesa?
Vocês são capazes de assumir argumentos coletivistas do oitavo grau quando o assunto é algo que incomoda vocês - todos os argumentos petistas se tornam válidos do dia para a noite.
Para mim está sendo elucidativa essa conversa. Parece que o Tiago não e tão estranho neste ninho, afinal.
A diferença, que você não percebe,quando faz seus discursinhos sobre "coletivismos" é que o marxismo-leninismo, sendo a ciência que estuda o desenvolvimento das sociedades e o modo de administrá-las sabiamente, tem a solução para as questões sociais porque fornece a chave para interpretar o estágio das forças produtivas. Os assim-chamados conservadores precisam improvisar regras sociais para justificar seus mesquinhos preconceitos. Marx, Lenin e Stalin nos deixaram a planta de uma sociedade democrática e justa. Quando não se haviam ainda manifestado plenamente os males da permissividade, Lenin já nos avisava que a moral sexual burguesa era decadente e nociva para a sociedade. Quando dos acontecimentos de maio de 1968 e da "Revolução Sexual", o PCF deixou claro que a baderna dos garotos mimados era estranha aos princípios do marxismo-leninismo e que, sob o pretexto de "libertação", o sexo estava sendo usado para desmobilizar e desmoralizar a classe trabalhadora e prolongar o jugo burguês. Antes que o mundo burguês prestasse atenção ao problema das drogas, o PCUS já se dedicava a proteger o povo soviético dessa contaminação burguesa. O PCUS sempre esteve certo em sua luta contra a "cultura" burguesa porque sempre pôde, para ver mais longe e mais claro, fazer uso do maravilhoso aparato intelectual do marxismo-leninismo.
Tiago
Fábio: é fácil ridicularizar-me, e já é a segunda vez que você o faz. Não vou dizer que acho lindo, nem que não me importo em nada, nem que me envaidece. Vou dizer, somente: OK, você é livre para isso. É o que posso dizer sem ser hipócrita.
Agora, não sei se é correto pintar um quadro em que as forças nefastas do conservadorismo tacanho oprimem os anseios justos por liberdade. Sério, às vezes me parece que você chega quase, quase a isso. Tudo bem, você descobriu que muitos conservadores são conservadores por motivos sentimentais e que têm um núcleo duro de irracionalidade, quase sempre religioso, o que é capaz de expô-los a situações embaraçosas. Mais: os conservadores quase sempre têm diante de si a dimensão escatológica, que é mais importante do que qualquer programa que venham a adotar. Vá lá, tudo isso é coisa de velhos. E daí? Isso faz deles canalhas comparáveis aos revolucionários? Isso faz deles calculistas tão hábeis quanto os social-democratas? Desde quando ser um pouco jeca é pior do que ser celerado incorrigível?
O fato é que, muito provavelmente, as drogas serão liberadas, mas dentro do esquema social-democrata do estado-babá, ao mesmo tempo que substâncias mais inofensivas serão reguladas pela pressão de ONGs. Reconheçamos que esse cenário não é o mais alentador para o despertar da ideia de responsabilidade individual que lhe é tão cara. Haverá um aumento do consumo, que ninguém sabe precisar de que ordem. Pode ser que seja algo facilmente absorvido pela sociedade, pode ser que não. As drogas, hoje, já nos trazem problemas, e que já são de difícil solução. Pode ser que a liberação ilumine esses dramas e favoreça o aparecimento de amparos sociais eficazes, pode ser que não. Pode ser só uma questão de tempo para adaptação. Só sei que haverá muita gente precisando de ajuda. Eu realmente temo que possa haver uma corrida de jovens pobres deseperados para o crack em níveis muito maiores do que hoje.
O que você não pode negar é que, no limite, as drogas nos colocam, de frente, o problema da degradação humana consentida. Abusus non tollit usum, bem o sei. Mas não são substâncias quaisquer, como o açúcar: têm um poder destrutivo inegável, podem causar suspensão prolongada do juízo moral e têm um efeito sobre a consciência com doses relativamente pequenas; reconheça-o. A relação custo/benefício/estrago potencial dessas substâncias é muito alta. Já temos álcool, que causa tantos problemas, mas que não pode ser extirpado - e nem é coisa que eu ache desejável. Tem uma história dentro da nossa civilização, e aí fica. Talvez a maconha pudesse ser liberada, mas, à falta de conhecimento específico sobre o tema, eu tendo a desejar que as coisas fiquem como estão. POSSO ESTAR ERRADO e não me furto à discussão, o que não corresponde à caricatura que você faz de mim. Eu queria ter um tantinho a mais de confiança na responsabilidade dos outros para achar tudo isso desejável - extraordinário, até.
O fato é que não tenho. E nem acho que a civilização seja algo tão robusto assim, o que pode ser o efeito de um sentimentalismo trágico - e meio piegas. Ela se recompõe, sem dúvida, mas a que preço. A que preço.
O que eu estou expondo aqui é que vocês acreditam que as pessoas adultas devem ser tuteladas pelo estado em decisões que não afetam outras pessoas, e também que tem obrigações para com o "bom ambiente" da sociedade. O que em nada difere de quando um esquerdista exige certa autocensura politicamente correta. Vocês discordam da esquerda no que é uma sociedade justa, mas compartilham com ela os mesmos princípios - de que todos devem aos outros essa socieade melhor - e métodos - de que isso deve ser imposto todos, gostem ou não.
Peidar na sala também faz mal à esposa, aos filhos... e às visitas.
João Paulo Rodrigues
O PCUS era a maior droga imposta ao povo soviético. Era uma droga tão pesada, que tem gente que ainda vê "maravilhas", a chave da felicidade instantânea e total, além de fadinhas, estrelas, anjinhos e otras cositas más até hoje...
João Paulo Rodrigues
Dentro do "esquema social-democrata" vigente em Paris, Amsterdão, Estocolmo, Francoforte e Copenhague há muito menos degradação e violência e mais responsabilidade individual do que nas mecas do conservadorismo tacanho situadas nos Estados Unidos... e mesmo nas cidades mais liberais, com suas gangues maras e bairros caindos aos pedaços.
João Paulo Rodrigues
Marton,
Concordo com os seus argumentos referentes aos pontos 1 e 2 do texto.
Agora, creio que você se engana no ponto 3 do texto. Creio que uma liberação unilateral teria sim um impacto muito ruim (impacto real e não apenas discursos raivoso em programas conservadores). Em economês, vejo que as externalidades advindas do uso abusivo de drogas (e, sendo o Brasil o único país a libera-las, tal uso se tornaria abusivo com o turismo atraído por elas) seriam extremamente danosas. Principalmente para um país tão capenga em suas estruturas como o nosso.
Ingenuidade acreditar que o uso de drogas é algo que afete apenas ao indivíduo praticante.
Como se ele vivesse numa cúpula, afastado dos outros.
Isso nada tem a ver com conservadorismo ou progressismo.
Mas é evidente que ficar maluco só afeta o indivíduo. Exceto se ele fizer besteira, o que pode muito bem não fazer, e não faz na maioria das vezes. Se fizesse na maioria das vezes, já viveríamos no mundo Mad Max que vocês tem tanto medo.
Aliás, é incrível como vocês realmente acham que o tipo de pessoa que não consegue drogas hoje em dia - isto é, quem é tão certinho que não conhece ninguém que use drogas - vá fazer fila às cinco da manhã na farmácia para abandonar sua vida e ficar alucinando o dia inteiro.
Esse argumento é um tipo de justiça preemptória, limitando direitos individuais basedo em crimes que não aconteceram. Que tal então, por exemplo, estabelecer por lei que pessoas pertencentes grupos que estatisticamente cometem mais crimes devam sempre ser revistadas?
Mas é evidente que ficar maluco só afeta o indivíduo. Exceto se ele fizer besteira.
chest- até que ele faça besteira. A quantidade de besteiras feitas diariamente reforça minha posição, Marton.
"Ingenuidade acreditar que o uso de drogas é algo que afete apenas ao indivíduo praticante.
Como se ele vivesse numa cúpula, afastado dos outros."
Fechar bares de periferia mais cedo diminui radicalmente a violência. Deixá-los fechados o tempo tempo diminuiria ainda mais a violência nas áreas mais pobres das grandes cidades. Qual é a diferença entre drogas legais e ilegais nesse aspecto. Eu repito: sem atacar as graves contradições da ordem capitalista, sem combater a pobreza e alienação do trabalhador, sem criar um cultura sadia e equilibrada (o papel do antigo Komsomol na socialização dos estudantes é um ótimo exemplo)e sem dar perspectivas à população, qualquer medida que se tome quanto às drogas-reprimir, liberar, incentivar, etc.- será cosmética na melhor das hipóteses. O flagelo das drogas é um problema socia e só pode ser resolvido por um reforma ampla e radical da sociedade.
Tiago
Errata: onde se lê "problema socia", leia-se "problema social".
Tiago
A meu ver, a tal da "externalidade" não adviria com uma liberação unilateral. Fumador de crak não pega avião. Viciado em cocaína, heroína ou drogas sintéticas ao ponto do descontrole também, não, e não é nem pelo fato de que, como o fumador de crak, ela já estaria deitado no salão de embarque totalmente chapado, mas porque não teria dinheiro para a passagem. Se já dá para manter o vício em seu local de origem, num estado mental em que a repressão policial já não importa, para que gastar 500 dólares só no bilhete de avião?
Quem viria seriam os mais ou menos endinheirados, a maioria jovens, dispostos às baladas. Aquele tipo que até dá vexame. Mas se recompõe e volta pra casa e pro trabalho no dia seguinte. Enfim, calhava desse pessoal incentivar a indústria do turismo, das boates, dos bares, restaurantes, dos DJ´s, dos guias turísticos, dos hotéis.
Ah, esse comentário acima é meu: João Paulo Rodrigues
É absurdo defender o direito de tomar droga; enquanto se demanda o direito de mandar a conta dos problemas eventuais desse consumo pro seu vizinho. Se você e sua turba de maconheiros tem o direito sobre a riqueza produzida pelo seu vizinho; o seu vizinho e sua turba de reacionários terão o direito sobre o que você pode ou não colocar dentro do seu corpo. Essa é uma troca nefasta, que produzirá um monte de problemas, principalmente porque é imposta a uma enorme quantidade de pessoas em um enorme escopo geográfico.
É absurdo colocar no mesmo balaio o consumo de uma substancia X junto com crimes como roubo e assassinato. Parece que algo é crime porque algum dia alguém escreveu num pedaço de papel que assim deveria ser. Esse argumento é insustentável. A definição do que consiste um crime deve ser muito mais cuidadosa.
Mas existe certa consistência lógica nas premissas que resultaram naquela capa da Veja; o problema é que essa, assim como um sem numero de outras questões, existe dentro de uma dimensão temporal. Isso implica que dependendo da forma como se observa o problema, as questões se ordenam em relações causais que conduzem ao seguinte dilema:
Você continua apenas um consumidor ocasional de drogas recreativas, mesmo quando sabe das conseqüências daquela transação? Mesmo que você não tenha culpa dos erros do ordenamento legal que é a causa de maior grau do problema (imaginando que a graduação seja temporal e ordinal) você, HOJE, de maneira pragmática; é o único que tem POTENCIA pra agir, na instancia do problema da qual participa, pra impedir que ele ocorra. Já que o estado e o traficante, sabemos, não vão agir pra moralizar a situação.
Tenho o palpite que é daí que parte a capa da Veja: Porra, Usuários. ACORDEM! Tem gente tomando bala perdida, derrubaram um HELICÓPTERO que foi comprado COM A SUA GRANA! Mataram policias que, na teoria, estava lá pagos COM O SEU DINHEIRO. E Você continua a dar a grana pro FILHO DA PUTA do Traficante?! Parece-me uma chamada à responsabilidade individual, se observarmos o problema da mesma perspectiva dos autores dessa conclusão.
Só que essa lógica torna-se inconsistente conforme ampliamos o escopo do problema. No final, a única posição que consegue manter consistência nas suas proposições morais ao mesmo tempo em que permite que a sociedade crie os mecanismos pra lidar com instancias específicas de um problema como esse. Instancias essas que demandam arranjos onde haja supressão temporária de certos direitos ou a contrapartida pra existência de um dado direito; é a libertária.
Você quer fumar maconha e estar SEGURADO contra possíveis males que essa ação venha a lhe causar? Compre a maconha com seguro da marca; O Hippie Prevenido. Você quer viver numa região Drug Free? Mude-se pro condomínio; Carolinha Hills onde o contrato restringe o consumo dessas substâncias inclusive dentro das casas. Nenhum desses arranjos permite que os espertos usem a coerção pra ter seus desejos atendidos. Ao mesmo tempo em que força os que desejam exercitar sua liberdade de tomar droga a arcarem com as conseqüências de suas escolhas.
Não é perfeito, mas funcionaria. E é moralmente mais defensável que qualquer outra.
FIXtheMAD
Fábio Marton,
Lamento, mas nefelibata é a sua leitura da história. A Lei Seca foi abolida nos Estados Unidos DEPOIS do desmonte do crime organizado, e não antes. Al Capone, por exemplo, foi preso em 1931, enquando a Emenda nº 18 só caiu em 1933.
Não enche!
Bom arrazoado.
1. Liberar as drogas não fará dos traficantes menos bandidos;
Bom, então o problema não é com as drogas, é com os pobres, certo?
2. Liberar as drogas aumentará o consumo de drogas, causando um problema social pior que o tráfico;
Aumentará um pouco. Em compensação sobrará muito mais recursos financeiros e humanos para tratar de seus malefícios.
3. Liberar as drogas não pode ser feito em um só país, transformaria o Brasil em um corredor de tráfico internacional.
Ainda é o único argumento com algumpeso. Não há hipóteses de o Brasil avançar nessa sozinho.
Álcool e tabaco já foram plenamente equacionados pela nossa sociedade. As drogas leves obedeceriam os mesmos critérios. As mais pesadas… exigem mais discussão.
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