Assim como democracia, liberdade é uma palavra elusiva. Não houve ditadura no planeta que não falasse em liberdade a certo momento, chamasse seus adversários de tiranos. Será mera hipocrisia? Terão todos os totalitarismos lutado conscientemente pela pela escravidão em nome de seu projeto de igualdade, de estabilidade? Terá todo o marxista sido simplesmente hipócrita toda a vez que mencionou a palavra liberdade?Em verdade, não. A respeito disso, Isaiah Berlin introduziu uma distinção indispensável a quem quer debater ideologia sem se limitar a estigmatizar o outro lado, ficar restrito a pregar aos conversos. Trata-se da diferença entre liberdade negativa e positiva.
Liberdade negativa é o conceito liberal clássico. Significa estar livre de opressão, não sofrer coação ou violência por parte de Estado ou entes privados, não ser impedido de fazer o que é lícito ou obrigado a servir a outro, isto é, não ser escravizado, extorquido ou assaltado. Diz-se ser negativa porque é uma liberdade que depende dos outros não fazererem alguma coisa, isto é, não oprimirem a você. Em nome da liberdade negativa há direitos que envolvem coisas que o governo não deve fazer, como a liberdade de associação, manifestação, expressão, religião, iniciativa etc.
Liberdade positiva é o conceito defendido geralmente para além da liberdade negativa, e não no lugar dela, uma que ninguém rejeita que exista opressão direta. É positiva a liberdade que para existir exige uma ação. Os defensores da liberdade positiva não acreditam que a ideia negativa de liberdade esteja errada, mas que seja muitas vezes insuficiente, "ingênua". Por exemplo, a necessidade força as pessoas a fazer coisas que elas não gostariam de realmente estar fazendo: você não está no seu emprego numa terça-feira de sol porque quer, mas porque precisa. Isso torna no mínimo relativa a ideia de liberdade negativa. Os liberais, que só acreditam na liberdade negativa, consideram voluntárias as relações de trabalho, já não há coação nelas. No entanto, se não há coação, há necessidade envolvida, assim, do ponto de vista da liberdade positiva, as relações de emprego não são realmente livres. Para existir liberdade aqui, seria necessária uma ação positiva, por exemplo os sindicatos conquistando direitos, diminuindo as horas de trabalho, atingindo férias remuneradas etc. Note que, enquanto a liberdade negativa é absoluta, pois censura, tirania e opressão simplesmente existem ou não, a liberdade positiva pode ser medida em gradações, pode haver mais ou menos dela, trabalhar nada, 8 ou 16 horas por dia. Inclusive o que era livre pode deixar de ser quando se descobre que as liberdades antes conquistadas não são mais suficientes.
A liberdade positiva é o conceito de liberdade de toda a esquerda, não só a radical. Em outro exemplo, só há liberdade total de criação artística se o estado/mecenas paga ao artista para viver como bem entende e fazer o que bem quiser, independente do público. Maior a liberdade maior o financiamento.
A lógica da liberdade positiva não é falha em si: de fato, a necessidade e a escassez diminuem a liberdade de ação, assim como as leis da física, o fato de você não ter uma máquina do tempo, não respirar embaixo d'água, não ser Napoleão Bonaparte... Em outras palavras, liberdade positiva é o conceito de liberdade do moleque birrento, considerar como opressão não poder fazer tudo o que se quer na hora que se quer, e ter todas as coisas que se quer. (Mas isso sou eu, não Berlin).
Os problemas que derivam de qualquer aplicação da liberdade positiva acontecem por se tornar mais tênue a ideia de liberdade negativa. Por exemplo, pensemos na industrialização soviética. No capitalismo, empregados que chegam atrasados não são promovidos, sofrem cortes de salários ou acabam demitidos. Na União Soviética, que visava livrá-los dessa "opressão", empregados que se atrasavam eram presos - isto é, eles estavam trabalhando sob ameaça, como escravos. Em nome de uma ideia de liberdade positiva, foi abandonado o mais básico conceito de liberdade negativa. Assim como, em nome de trazer "liberação" ao mundo capitalista, todos os tiranos e bandidos se tornam menores.
E, é claro, "libertar" uma fildaguia qualquer, como a classe artística, sempre será pago por outros plebeus em outro lugar - mas isso é um problema de igualdade, para além de liberdade.
Edit 18/07 22h33: expandido.


16 comentários:
A liberdade positiva não é liberdade é tirania. A esquerda ao pedir liberdade de criaçãoa rtística, como no exemplo que você deu, está escravizando o resto da sociedade que está pagando a conta sem ser solicitada.
A única liberdade é a negativa: não me escravizarás!
Senão, daqui a pouco teremos gente pedindo em público o direito de te assaltar, etc...
É, eu acho o termo "liberdade positiva" uma das maiores picaretagens intelectuais "modernas".
Faço aqui um pedido pra sua consideração. Alem de sua habilidade de articular idéias, suas opiniões são construídas em um sólido alicerce teórico. Se tiver um tempinho, poderia fazer aí uma lista com, digamos: 10 livros (Em inglês ou não)os quais considere fundamentais pra se entender o liberalismo de maneira mais profunda?
Desde já agradeço sua generosidade, caso tenha tempo pra sugerir os autores e livros.
os outros direitos fundamentais, vida e propriedade tambem são negativos, isto é, você não pode me matar e você não pode me roubar. Se positivos fossem, haveria o direito a propriedade (dos outros, na marra)e o direito a explorar os outros para manter a sua vida (transplantes com órgãos roubados, por exemplo).
Chesterton: sim, mas eu não estou falando em direitos ainda. É uma conversa parecida, mas acho que é bem mais importante combater a ideia de liberdade positiva que discutir benefícios sociais ("direito a educação").
Fix: vou confessar que eu leio muito mais ensaio que livro, vou falar só algumas coisas que eu tenho em casa e li faz pouco tempo: A Mentalidade Anticapitalista (Ludwig von Mises), Egalitarism as a Revolt Against Nature and other Essays (Murray Rothbard), Philosophy, Who Needs it? (Ayn Rand), Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (Vários), Leviatã (Thomas Hobbes), O Que é uma vida Bem Sucedida? (Luc Ferry), Arquipélago Gulag (Alexander Soljenitsin), Os Demônios (Dostoievski), Cândido (Voltaire), O Mestre e Margarida (Mikhail Bulgakov). Os primeiros livros são formação liberal, o do Luc Ferry é cultura genérica e o resto é anticomunismo opcional. Não acho que isso nem de longe é uma "sólida formação", mas estou sendo honesto, é o que eu li do começo até o fim. Eu mesmo quero ler tomos completos e não só trechos de Locke, Hume, Berlin, Hayek, Bastiat, Lysander Spooner, Popper etc.
Gripe suína - Jornalista austríaca acusa OMS de genocídio
Jane Bürgermeister, jornalista austríaca, recentemente apresentou acusações criminais junto ao FBI contra a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas (ONU), e vários altos funcionários governamentais e empresariais relativos bioterrorismo.
Jane criou um dossie, entregue ao FBI, que mostra as evidencias de que o virus da gripe suína foi criado em laboratório e usado para exterminar parte da populacao e forcar lei marcial.
"Evidencias de que um sindicato internacional de criminosos corporativos, que se anexaram com altos oficiais do governo dentro dos Estados Unidos, estao levando adiante um genocídio em massa contra as pessoas dos Estados Unidos usando um vírus pandemico artificialmente (geneticamente) modificado, e um programa de vacinacao para causar morte em massa, ferimentos e despovoar os EUA de forma a trasferir o controle dos EUA para a OMS, a ONU e suas forcas afiliadas de seguranca (Tropas da UN e OTAN)"
Uma das acusacoes é contra a Baxter, que enviou 12 kilos de vírus da Austria para vários países, como se fosse vacina. Jane cita também vários atos do governo e leis da ONU que dao poder ao governo, FEMA e a ONU para forcar vacinacao em massa, lei marcial e aprisionamento.
Jane foi despedida do seu emprego de correspondente européia para o site de energia renovável.
Fontes:
Dossie (em ingles)
Bidflu666 - Blog de Jane
Infowars - Jornalista é despedida
http://mathaba.net/news/?x=621102
http://www.youtube.com/watch?v=wHxHmHa9qvs
http://www.torontosun.com/news/canada/2009/02/27/8560781.html
http://www.examiner.com/x-6495-US-Intelligence-Examiner~y2009m7d10-CBS-60-Minutes-300-death-claims-from-1976-swine-flu-vaccine-only-one-death-from-flu
FONTE TRADUÇÃO
http://umanovaordemmundial.blogspot.com/2009/07/gripe-suina-jornalista-austriaca.html
Site que centraliza várias informacões sobre o H1N1, mostrando opiniões de vários experts em saúde que denunciam o H1N1 como tendo sido desenvolvido em laboratório.
Pandemia H1N1
A censura que estão tramando para nós internautas e apreciadores deste fantástico meio de comunicação.
A Nova Ordem Mundial Está Censurando a Internet (Internet 2)
http://www.youtube.com/watch?v=iv8tKbbi8f4&NR=1
Spam de gripe suína, e no meu blog agora tenho um troll soviético. É pra desanimar qualquer um.
Infelizmente muitas pessoas que acham que sabem de tudo, antes mesmo de checar uma informação, já saem alardeando spam e coisas do tipo, o que é lamentável.
Fui conferir a informação de cima e me pareceu muito interessante e esclarecedor ao momento em que estamos vivendo.
Diário Popular, 22/05/2003:
Sinopse da imprensa: gravações mostram mudança no discurso de Lula
A ala radical do PT resolveu reagir e divulgar gravações que mostram a mudança no discurso de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo informações divulgadas ontem. No material - um livro, um cedê e um vídeo - o presidente critica a reforma da Constituição, defende as propostas do partido dele, critica a Rede Globo e diz que o então presidente José Sarney é um “grande ladrão”. Esse discurso foi feito no dia 6 de setembro de 1987, em Aracaju.
Na época Lula era deputado federal, e criticava a idade mínima proposta para a aposentadoria - 48 anos para mulheres e 53 para homens - dizendo que o Governo queria “criar o limite de idade para que a classe trabalhadora morra antes de se aposentar”.
De acordo com a imprensa do centro do País, o material chegou ao jornal Folha de São Paulo pelas mãos do deputado João Fontes (PT-SE), que estava acompanhado da deputada Luciana Genro (PT-RS).
O discurso mostra que o partido que elegeu Lula mudou de opinião algumas vezes: a Rede Globo é motivo de elogio pela cúpula do PT, o atual presidente do senado José Sarney (PMDB- AP) é aliado, e a proposta de reforma da Previdência feita pelo presidente Lula propõe limites mínimos de idade de 60 anos para homens e 55 para mulheres (no serviço público).
fonte
Sarney é um grande ladrão
Anônimo (Andrei?), comente apenas o que for relacionado ao tópico, ou eu apago. Você tem meu e-mail para me informar de qualquer coisa, mas não faça de meu blog seu quadro de avisos.
que puta estupidez! poderia apagar o blog.....mas venho humildemente divulgar a corrupção.
Depois que falam que somos maus quando sites somem nas madruga, não é?
Ah, mas eu tenho tempo de ficar ouvindo ameaça de Kevin Mitnick wannabe... Se você é tão hacker assim, por que não põe na home page do UOL essas teorias da conspiração, ao invés de sair apagando blog de quem pede à vossa alteza pra se comportar?
Oi Marton,
queria fazer um reparo à sua concepção de liberdade positiva. O seu sentido filosoficamente mais interessante foi apresentado por Rousseau ao argumentar que o homem entra no Estado Civil ao se submeter às leis por livre e espontânea vontade. Kant retoma essa idéia e forja o conceito de 'autonomia' na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, considerando que as leis da moralidade são seguidas espontaneamente pela razão. Note, Rousseau até pode ter sido inspirador do jacobinismo... mas Kant é a expressão mais acabada do pensamento liberal (segundo Bobbio). Para encurtar, a noção de liberdade em sentido positivo é retomada recentemente pelo economista indiano Amartya Sen - um liberal - em seu Desenvolvimento como Liberdade. Um bom fio condutor para a contextualização histórica da liberdade em sentido positivo é feita por Robert Pippin em seu 'Modernism as a Philosophical Problem', também um liberal.
Grande abraço,
Fabian, você está confundindo liberal clássico com liberal político keynesiano, "liberals" no sentido americano. "Liberals" são de esquerda.
No Brasil costuma se achar esses liberals "de direita" porque o Partido Democrata, por motivos evidentes, lutou conta a União Soviética. Além disso, aqui o que chamamos de esquerda é ou populista (fascista) ou socialista, antiliberal e antilegalista portanto.
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