Sendo eu um ateu, é meio como falar daquele parente que veio junto, entornou todas e vomitou no carpete. Não sei por que Dawkins não quer deixar as pessoas religiosas aproveitarem a vida, não sei. Definitivamente é o argumento mais boçal imaginável para não crer esse de "venha para onde está o prazer, venha para o mundo do indecoro". Pombas, até meu pai, que é filho de um pastor da Assembléia de Deus e hoje é diácono da Igreja do Evangelho Quadrangular, resolveu ter seu momento de fuzarca na juventude. Isso não quer dizer nada, ser ateu não é "aproveitar a vida", é uma decisão intelectual com seriíssimas e muitas vezes dolorosas consequências. Muito mais fácil, aliás, parece ser aproveitar a vida ao lado do Grande Amigo Invisível. E essa campanha cafajeste dá toda a razão para quem acredita ateus são um bando de pilantras, que na falta de Deus toda moral é insustentável.Para ser bem sincero, a própria religião me parece uma espécie de prazer culpado. Quando um religioso é escanteado em argumentos, demonstra a mesma agressividade envergonhada daquele gordinho que é pego à 1h30 assaltando a geladeira.


25 comentários:
MArton, como você mesmo diz, a campanha é cafageste.
Falta demosntrar, e sei que um dia o farão, que moralidade possível tem cafagestes, pilantras.
e cafageste é com jota meu Deus, essa reforma ortográfica me mata....
Ô Marton,até tento, mas não consigo enxergar a campnha do Dawkins como um apelo ao hedonismo desenfreado. Sexo-drogas-roquenrou. Tampouco insinua que os crentes não podem aproveitar avida. Pra mim, a mensagem é: parem de se preocupar com o além, viva o aquém da melhor forma possível...E ninguém há de negar que toda e qualquer religião usa o post-mortem como chibata para impor condutas no aqui-agora, né?
Abraço
Kbção
Chest, há moralidade fora dos muros das Igrejas. Pode acreditar...
Kbção, é como a confusão popular com Epicuro, que é meio que o primeiro ateu. Ele dizia que, como não há vida eterna, devemos aproveitar o melhor possível a vida aqui. Só o que não lembram é que Epicuro era um anti-hedonista, que dizia que aproveitar a vida é ser frugal, abster-se de prazeres, para não se tornar um mimado que fica inveliz quando perde esses prazeres.
Bingo, Marton! Por que não enxergar a campanha pela ótica epicurista? Pra mim é isso. "Aproveitar a vida" é algo tão vago que pode assumir qualquer forma. Do hedonismo mais porralôca a uma vida pacata-porém-feliz. Repito,pra mim a mensagem tem a ver com filosofia de Epicuro: quem se preocupa muito com o além não aproveita muito o aquém...
Abraço
Kbção
Quem se preocupa muito com a vida também não aproveita a vida.
kkkkkkkkkkkkk
Você que o diga, né? Acho que o ideal é aproveitar a vida despreocupadamente...
kkkkkkkkkkkkk
Marton, confessa que esse post foi uma recaída carola, vai?!
kkkkkkkkkkkkkk
Abraço
Kbção
Neh, só acho o Dawkins, como ateu, é um bom geneticista. Ateu que se limita a dizer "Deus não existe, pô, gente, vocês não conseguem ver" não passou da fase acnase do ateísmo. Ateu adulto tem que saber falar em Deus, veja Nietzsche ou E.M. Cioran, por exemplo.
Sim, há moralidade fora da religião, mas não em cafajestes.
Na boa, este tipo de discussão está "way above our pay grade." É ridículo querer chegar a alguma conclusão a respeito disso lendo uma meia dúzia de autores. Escolha um lado ou nenhum deles (invente sua própria seita!) e siga a vida. É impossível afirmar que se escolheu ser ateu ou católico após análise criteriosa de todos os argumentos envolvidos. Essa questão sim, é um verdadeiro Fla x Flu: fica um lado achando que ateu é safado e outro achando que religião é medinho da morte. Pfui!
Ser ateu é estar sozinho. Este é o contrasenso de campanhas pelo ateísmo. Não é uma experiência gregária.
A foto do post, surrupiada da embalagem do chocolate em pó da Nestlé, mostra 2 monges no maior "carpe diem", o que mostra que religiosos - e crentes - podem perfeitamente aproveitar as boas coisas da vida. Aliás, me parece que em geral eles aproveitam bem mais as coisas boas da vida.
The same lesson [of the pessimistic pleasure-seeker] was taught by the very powerful and very desolate philosophy of Oscar Wilde. It is the carpe diem religion; but the carpe diem religion is not the religion of happy people, but of very unhappy people. Great joy does not gather the rosebuds while it may; its eyes are fixed on the immortal rose which Dante saw.
Gilbert Keith
After belabouring a great many people for a great many years for being unprogressive, Mr. Shaw has discovered, with characteristic sense, that it is very doubtful whether any existing human being with two legs can be progressive at all. Having come to doubt whether humanity can be combined with progress, most people, easily pleased, would have elected to abandon progress and remain with humanity. Mr. Shaw, not being easily pleased, decides to throw over humanity with all its limitations and go in for progress for its own sake. If man, as we know him, is incapable of the philosophy of progress, Mr. Shaw asks, not for a new kind of philosophy, but for a new kind of man. It is rather as if a nurse had tried a rather bitter food for some years on a baby, and on discovering that it was not suitable, should not throw away the food and ask for a new food, but throw the baby out of window, and ask for a new baby.
chest- o prazer que eu tenho lendo as querelas entre GK e B Shaw é indescritível. Esse tirei da wikipedia. As escolas deveriam tornar o autor, do qual roubei o nome, obrigatório nas salas de aula.
Principalmente o soneto de Chesterton sobre o queijo Blue Stilton, queijo que eu tenho em minha maior estima e consideração.
Em todo caso, pombas, por acaso medo da morte é pouco motivo? Acho que as pessoas confundem medo da morte com medo do que há após a morte. Medo do que há depois, de fato, ateus não têm.
Medo da morte, do fato que cada vez que você respira é uma a menos em um total, que você sempre tem menos, não mais tempo, que o que pareciam possibilidades infinitas na juventude cada dia se torna um caminho mais estreito, que você nunca vai acordar mais longe da morte do que mais perto. A essa angústia a religião tem por propósito responder, esse é um medo que os religiosos não têm.
"A essa angústia a religião tem por propósito responder, esse é um medo que os religiosos não têm."
Ou não deveriam ter, caro Marton. Não deveriam...
medo do que há depois tambem não tenho.
Ainda há o pressuposto bizarro de que pensar em Deus é o contrário de aproveitar a vida. A honestidade me obriga a ressaltar que o enjoy inglês tem o sentido de gozar, desfrutar, de ter prazer mesmo, não de “não desperdiçar”. Até parece que a religião é só mortificação. Foram os monges que inventaram a cerveja, oras. E as pessoas anticlericais adoram ressaltar a conduta hipócrita dos religiosos. Vão a festas, fazem sexo, vivem no pecado. Mas não é isso que os anticlericais querem? Decidam-se, raios.
http://oindividuo.com/
E o Theo Darlymple escrevendo aqui sobre ateísmo, alguém leu?
http://www.city-journal.org/html/17_4_oh_to_be.html
The heart hath its reasons that reason knows not of.
chest- alguem me daria uma tradução profissional dessa frase? É do TD.
Não seria o bom e velho "O coração tem razões que a própria razão desconhece"? É um clássico (sei, sei... Sou velho)
é isso, acho que meu cérebro anda com "pobrema".
e Do Sentimento Trágico da Vida, de Miguel de Unamuno, alguém já leu?
Eu me distanciei da religiao logo cedo para poder, como dizem, viver desregrado e com todos os prazeres sem culpa, afinal a vida é curta e eu preciso aproveitar.
Mas no final isso vira so um circulo de prazer e desgraca. Independente de haver ou nao algo apos, o que eu nao sei, nem ninguem sabe, se voce nao tem qualquer que seja, um objetivo, a vida perde muito a utilidade. Em outras palavras nos precisamos dar algum sentido a vida para continuarmos vivendo.
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