Vamos deixar claro: a única via aceitável seria um impeachment. Agora imagine que você faz parte do governo civil, empossado pelos militares, que dizem ter cumprido sua função constitucional. Quando o golpe já foi dado, como proceder? Chamar Zelaya de volta para então impichá-lo? Seria igualmente correto, mas note-se que você está entre dois golpistas: isso pode ser o caminho ou para o chavismo ou uma ditadura militar.
Acho que Zelaya volta, por pressão internacional, e espero que minha profecia esteja errada - por ambos os lados.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)


9 comentários:
por isso que eu digo, votar, escolher os governantes democraticamente, de nada adianta. Tem que haver respeito as leis, a propriedade privada, às tradições locais....
Senão de 4 em 4 anos o governo que entra arrasa a economia do país que vira um eterno iniciante. O presidente não mostrou apreço pela constituição, os militares juraram defendê-la. Está criado o impasse.
E tem mais, plebiscito para mudar a Constituição? Para se reeleger? É preciso uma assembleia constituinte.
E ainda mais, tramar contra a constituição de seu país, `revelia do judiciario e do legislativo junto com uma potencia estrangeira é crime de traição.
Compañero:
A premissa está errada. Zelaya não fomentava um golpe. Golpe é golpe e não qualquer medida inconstitucional (embora, tendo em vista alguns absurdos contidos na Constituição Hondurenha, ela devesse mesmo ser reformada no aspecto em questão). Ele estava isolado, sem apoio político e social. O tal "golpismo chavista" é uma fantasmagoria, um espantalho, do tipo da "subversão comunista" nos anos 60 e 70.
E se os tais ministros aceitaram permanecer no cargo, ou eram golpistas com Zelaya (o que não procede), ou são golpistas agora (sim), ou são penas oportunistas (sim, sim). Portanto, a dúvida ética não procede.
PS1: agora, não há um post ali embaixo falando em "saudosistas" e em "instrumentos intelectuais obsoletos"? O que mudou tão rápido para agora falarmos em "ou chavismo (i.e. populismo-comunista) ou diatura militar?"
PS2: ah, sim, Chesterton querido, o Zelaya queria justamente convocar a tal Assembléia Constituinte, mas um dos furos da atual Constituição é justamente tratar até mesmo a proposta de pensar em mudar a Constituição em certos pontos como crime de lesa-pátria. Sequer discutir essa proposta é permitido.
Zelaya enfrentou o congresso, o judiciário e, enfim, o exército do próprio país com a ajuda de um elemento externo. Não faça de conta que foi pouca coisa.
Seu PS1, pensei melhor na possibilidade do impeachment, e no exército ofendido tomando a iniciativa. Mas, veja acima, eu estava duas vezes errado: não há impeachment e os militares estavam sob ordens da Corte.
Entre viver a eternidade de um governo Chavista e qualquer outra opção amarga, mas sempre mais "branda", prefiro a segunda.
Quem foi pela primeira, salvo os russos, que se implodiram, vive até hoje sob a rédea bem curta do comunismo.
Antes a fome com liberdade, do que a fome com o chicote...
Zelaya não pode voltar; pelos Hondurenhos e por nós mesmos.
O Ze Laia queria convocar constituinte sem a aporvação do congresso e do judiciário, forçou a barra, se amaziou com o Chaves e foi expelido. Que venham as eleições.
aprovação....
Mas, vamos lá, JPR, suponho que você quer que eu explique minha reação. Não foi apoio enfático, mas mais de "ele mereceu" e "não é uma ditadura" - do que já estão chamando e, parece, de fato não é - é, isso sim, um governo ilegítimo, se o que houve foi um golpe.
Depois que pensei na possibilidade do impeachment, notei que estava sendo incoerente e escrevi este post. Aí vi que não havia impeachment, e ficamos no impasse seguinte:
Se não há impeachment possível, pode ser que não seja golpe, mas a saída legal possível.
Com impeachment, é golpe.
Povo exótico, leis exóticas, em todo caso.
Sequer foi a saída legal possível, pois não houvew ato legislativo ou judiciário a apoiar o golpe. O que já dá uma medida de quão canhestro foi. Não há até o momento evidência, nem mesmo na imprensa hondurenha que apóia o golpe, nem nas entrevistas dadas à CNN pelo chanceler hondurenho, de que tenha havido uma ordem legal. Ás cinco da manhã? Mandando ocupar edifícios públicos e sustar a transmissão de redes a cabo internacionais? Não sejamos ingênuos. Tem um documento fake de renúncia datado de 3 dias antes do golpe, quando Zelaya demitiu o general. Toda pinta de que prepararam o golpe para aquele momento, mas aí ele foi reempossado. Ou seja, tão procurando uma razão ex post facto para o golpe. A que colasse primeiro seria a que ficaria. Mais: desde acho o dia 27 o Congresso formara uma comissão para aprovar ou não os atos do Presidente. Nem deram tempo para ela se pronunciar. Elegeram o presidente do Congresso após ler a carta fake, o que também ajuda a desmontar a teoria da ordem legal vinda do judiciário.
Agora, numa coisa você está certo: é uma constituição escrita por um colegial. Após proibir (art. 4) que uma pessoa exerça dois mandatos presidenciais, afirma que transgridir tal norma é uma traição à pátria. Agora, como eles esperam que alguém transgrida uma norma dessas? Será que acham que é tipo cruzar o sinal vermelho ou cometer um assassinato, algo que alguém faz sem poder ser impedido antes de cometer tal ato? O cara entra disfarçado no palácio de governo, senta na cadeira do primeiro mandatário e usufrui ilegalmente do cargo? Daí ele "traiu a pátria?" (art. 4).
Postar um comentário