quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um Carrasco Muito Louco

Com os comentários recentes meio que tive de ficar retido ao anti-bananismo que é a bandeira deste blog (aliás, grato ao Arranhaponte, Paulo, Edson e todos mais pela defesa). Tenho mais nottupyces vindas do caldeirão do diabo, mas vou dar um tempo. Just for fun, outro da Uncyclopedia, com um título que não consigo traduzir: "Gallows Humor" - "Olha, gentein, como ele é colonyzado pelo ymperyalysmo yankee! Currupaco!".

Bueno, "gallows humor", literalmente, "humor de forca", é como chamam o humor negro que, graças ao politicamente correto, hoje é um termo aplicável apenas a Eddie Murphy e Chris Rock, mas só os 30% dos preto que morre na sociedade saum verde podem dizer "black humor". Os outros devem usar "afro-american humor".

Como é uma história sobre pena de morte, e escrevia em inglês, situei ela no sul maravilha dos Estados Unidos. Na falta de tradução adequada, segui a opção padrão de todos os tradutores: "Um XXX Muito Louco", como em "Um Morto Muito Louco" (Weekend at Bernie's), "Uma Escola de Arte Muito Louca" (Art School Confidential), "Um Nazista Muito Louco" (The Producers), "Uma Bomba Muito Louca" (Dr. Strangelove) e "Um Psicopata Muito Louco" (Il Mostro). Podia ser "do Barulho" também, mas parece que essa é reservada para infantis, não sei.




Segunda, 18 de fevereiro de 1952

Oi, Mãe, sou eu, o Eddie,

Boas notícias! A senhora pode esconder aquele guarda-chuva no armário. Não vai precisar bater com ele na minha cabeça de novo. Arrumei um emprego! É, mãe, um emprego! Na Prisão Estadual de Crack Rock. Eles não me disseram muita coisa, mas vou ser tipo um carceireiro, um "carceireiro especial". É mãe, eu começo no meu primeiro emprego de verdade e já sou especial. A senhora tá orgulhosa ou não tá?

Sempre seu,

Eddie

PS: Hmmm, se não for pedir muito só esconder o guarda-chuva, será que a senhora podia fazer aquela torta de abóbora quando eu der um pulinho aí no domingo?



Terça, 19 de fevereiro de 1952

Oi, Mãe, Eddie de novo,

Meu primeiro dia no emprego foi divertido paca. Primeiro eles me enfiaram na cabeça uma máscara pontuda, quase igual aquela que o tio Louie usava quando ia encontrar seus amigos de noite. Mas a minha é preta, não branca, então eu pensei que, diferente do tio Louie, eu iria enforcar gente branca, mas tava errado. Tem quase só gente preta no que eles chamam a "fila da morte", aquele corredor de celas onde os prisioneiros esperam sua vez. Como era meu primeiro dia, eles só deixaram eu brincar com a forca, que eles chamam de "brinquedo de madeira". Ei, não me culpe, Mãe, eu ainda sou um bom cristão! É só o jeitão que meus colegas chamam seus instrumentos de trabalho: o brinquedo de madeira, o brinquedo de tomada, o brinquedo de latinha, o brinquedo de tiro-ao-alvo, e o brinquedo "você-não-quer-saber" (não me mostraram esse, tou morrendo de curiosidade!).

Certo, o brinquedo de madeira. Não vá a senhora achar que meu trabalho é só puxar a alavanca feito robô. Nãaao, é uma função bastante sofisticada, ou eles não iriam precisar de um rapaz esperto como eu para ela. Quando o pescoço do prisioneiro não se quebra e ele começa a sufocar, eu tenho que pular no seu ombro e ficar empurrando com os pés até partir a tal da medula espinhal (estou aprendendo umas palavras novas...). Me disseram que é um ato de misericórida, então não precisa falar pro pastor e pedir pra rezarem pra mim. Bem, na verdade, na verdade vou lhe dizer que não foi tão fácil. Esse trabalho exige sensibilidade, e era minha primeira tentantiva, então eu decapitei sem querer o enforcado (e, bem, pela foto que tou mandando, a senhora pode ver que tou um tiquinho assim fora de forma). Foi feio mas, bem... nada que eles não pudesem costurar no necrotério.

No fim do dia, eu fiz 3 - ou dois e meio contando como meio o sem cabeça. Hoje, todos pretos. Pode dizer pro tio Louie pra ele ficar orgulhoso.

Com amor,

Eddie

PS: Pensei de novo na torta, deixa pra lá. Estou de dieta agora...



Quarta, 20 de fevereiro de 1952

Eu outra vez, Mãe!

Tou tão empolgado que não consigo parar de escrever cartinhas. Ontem, logo em seguida de eu ter colado o selo na nossa úlima cara, meus colegas Derek e Rudolph tocaram minha campainha. Me disseram que eu ia passar por tal de "ritual de iniciação". Eu falei que era cristão e daí eles riram da minha cara. Prar ser bem sincero com a senhora, não vi nada de esquisito ou diabólico no ritual: eu só tive que tomar dois copinhos de álcool de cereal e depois me falaram pra ir caçar uns bichos chamados malocos, mafacas, matacos, mala-sei-lá com uma escopeta. Tava escuro e eu tava tão breaco que não tenho certeza se não matei um coiote no lugar. Malocos são rápidos, é só atirar que eles fogem pro ninho deles na floresta. Procurei lá na biblioteca da prisão por uma foto de um maloco, esse aqui que vai é o bicho mais parecido que achei (desculpa!). Pô, escopeta não tem graça nenhuma!

Daí hoje eu tive que trabalhar com uma ressaca dos infernos. Tão ruim que eu vomitei num condenado quando fazia a dança da forca nos ombros dele. Fui educado e disse "Mil perdões", como a senhora me ensinou.


Seu,

Eddie

PS: Apesar da ressaca, fiz 5 hoje!



Sexta, 22 de fevereiro de 1952

Mãe!

A senhora sabe, sexta é um dia preguiçoso. Todo mundo fica olhando no relógio esperando pelas 6. Até os prisioneiros fazem isso, o que é bem esquisito quando você pensa que eles não estão trabalhando.

Certo, mas era minha primeira semana, então eu trabalhei dobrado para preencher as cotas de quem tava muito preguiçoso pra fazer seu serviço. Hoje encontrei meu primeiro prisioneiro branco. Sujeitinho mal-educado, vou te contar! Ele fez cocô nas calças que nem uma criancinha e adivinhe quem teve de limpar? É, o bom e velho Eddie aqui! Se ele já não tivesse morto eu matava ele!

Sempre seu,

Eddie

PS: hmmm... mudei de idéia de novo. Pode fazer aquela torta? A dieta eu começo segunda-feira.



Segunda, 25 de fevereiro de 1952

Valeu a torta, Mãe!

Éeee... Más notícias! Quebrei a forca hoje e fui quase demitido (muita torta?). O diretor Sullivan me disse que era herança de família, uma antigüidade do século 18. O lado bom da história é que me apresentaram os outros brinquedos. A gente tinha aquele condenado, Benedict Mortimer, que sobreviveu à forca quebrada, daí a gente teve de brincar de esconde-esconde só pra achar o bobinho na câmara de gás (estou anexando a foto dela - acho que ele era meio biruta, quem é que em sã consciência ia entrar num troço desses?). Estapeei a cara dele um pouquinho: "na-na-ni-na-não, seu lugar não é aí, mas na cadeira elétrica!". O coitado tava tão apavorado que eu tive que sentar na cadeira eu mesmo pra mostrar como era confortável e não havia nada a temer dela. É esquisito mas, bem na hora em que eu estava executando Mortimer, alguém começou um churrasco ali perto. Que falta de respeito pela morte, vou te contar! De qualquer jeito, aquele cheiro me deu fome danada, daí telefonei pra pedir um hambúrguer. Eu ofereci ao condenado uma mordida, como a senhora me ensinou, mas ele não quis. Bem, depois de mastigar 20 vezes, como a senhora me ensinou, eu engoli o hambúrguer e puxei a alavanca.

O pessoal com o churrasco devia estar bastante empolgado, já que eles passaram o dia inteiro fazendo hambúrguer enquando eu mandava mais 5 para verem o Criador.

Cheio de amor,

Eddie

PS: Agora é pra valer! Começo meu regime amanhã!



Terça, 11 de março de 1952

Mamãezinha, mamãezinha, minha primeirinha e uniquinha!

Sabe de uma coisa? Só hoje que eu percebi como tou lidando com gente perigosa. Na hora do almoço, Derek tava com um sorriso sinistro na cara, depois de fazer churrasquinho de 4 bandidos. Ele me falou que Jesse Whittaker, seu último condenado, tinha torturado e matado 13 mulheres e 7 homens. O cara era bancário, daí ninguém suspeitou dele. Mãe, vou te contar que fiquei chocado. Como é que existe gente assim tão sem coração de ficar matando gente durante o dia e de noite enfiar a cabeça no travesseiro, assim, como se não tivesse acontecido nada?

Teve mais problemas. O senhor Sullivan apareceu bem bravo depois que ele ouviu uns gritos na ala de execução. Ele tipo: "Que diabo tá havendo aqui!", e nós tipo: "Nada! Acabou a luz, então a gente tá usando velas!". Era verdade.

Seu filhinho, primeirinho e uniquinho!

Eddie



Sexta, 9 de maio de 1952

Cara Mamãe,

Eu sou um baita coração mole! Hoje um condenado começou a chorar alto e eu dei anestesia nele com um cano de chumbo. Infelizmente, não consegui dosar a força direito e daí o tubo fez todo o serviço sozinho. Adivinha quem teve que limpar a bagunça? É, o bom e velho Eddie aqui!

Sabe, estou ficando meio entediado. Todo santo dia é a mesma coisa: Eddie! vá pegar o prisioneiro, Eddie! amarra o prisioneiro, Eddie! puxa a alavanca, Eddie! leva o corpo pro necrotério. Mas hoje aconteceu uma coisa que me deixou perturbado. Tive de executar uma moça bem bonita na câmara de gás. Vendo aquela belezura em seu sono eterno, tão linda e tão pacífica, isso me deu umas idéias aí. Dizer o que? Eu sou humano também... Mas o povo não deixou eu brincar, não importa o quanto eu dissesse que isso era absurdo, já que ela já tava morta. Eu só estava achando utilidade pra comida de larva.

Partiram meu coração! Mas agora tou legal.

Amor,

Eddie

PS: A senhora ouviu as notícias? Parece que uns deputados mariquinhas aí querem banir a pena de morte em nosso Estado. Cambada de brutos insensíveis! Como é que gente pobre e humilde como eu pode ganhar a vida honestamente sem nossos empregos?



Quarta, 27 de junho de 1952

Ai, Mãe!

Vai tudo muito mal. Eles realmente vão acabar com a pena de morte em nosso Estado, daí eu acho que vou ter que passar o resto da vida levando comida praquela escória nas celas. O diretor Sullivan convocou procedimentos de emergência, daí eu finalmente descobri o que era a tal da máquina "você-não-quer-saber". Ele disse pra gente que ela foi criada para escrever o crime nas costas do criminoso, como "estupro", "incêndio", "assassinato". Só que a máquina engüiçou faz muito tempo, daí o diretor transformou ela numa máquina de fazer lingüiça. E, Mãe, vou te contar, aquela coisa do capeta é rápida! A gente conseguiu resolver os problemas de mais ou menos dez bandidos por hora, até que o governador chamou a gente por telefone e mandou parar (que estraga prazeres, vou te contar). Ele mandou uma comissão pra levar todos nossos brinquedos pro museu. Bem, pelo menos a gente teve a chance de servir aos oficiais que vieram buscar as máquinas alguns sanduíches "especiais". Eu tive de me segurar muito pra não gargalhar até rolar no chão.

Bem, meu tempo como carrasco foi uma grande experiência. Tudo o que eu posso fazer agora é continuar saindo pra caçar mazacos com Derek e Rudolph.

Seu filho muito entediado,

Eddie

PS: Depois de ver aquelas lingüiças, acho que finalmente tenho a força de vontade pra começar meu regime.



Sábado, 1º de julho de 1953

Cara Mamãe,

Boas notícias! A senhora pode esconder aquele guarda-chuva no armário. Arrumei um emprego novo! Agora tou trabalhando no que eles chamam de "clínica de estética". A senhora sabe, aqueles lugares pra onde a mulherada vai tentar uns tratamentos bizarros e sair com a mesma cara feia que entrou, só que com a pele engordurada. Passei o dia todo fazendo uma meleca esquisita de mel e limão que eles chamam "cera quente". Quando terminei, a doutora Rita pediu pra eu passar a cera na perna cabeluda de uma senhora de meia idade. Fiquei tão encabulado que minha careca ficou vermelha, mas a doutura me cochichou que a cliente não podia ver nada, já que tinha uma toalha nos olhos. Vou te contar, foi tão legal quanto meu emprego antigo. Até os gritos estavam ali de volta.

Com a vantagem que agora eu sou um homem das mulheres!

Seu (e delas, rêrêrê),

Eddie

PS: Torta no domingo?

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