sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Plus ça change

Eu falei em convicções e lembrei Ayn Rand. Na sua vontade de destruir Kant, era uma filósofa de verdade, mas meio que pesa na sua falta de reputação - internacional, porque nos EUA ela ainda é fenômeno pop - o fato de ter começado como autora de ficção científica. E também o fato de ser um tanto quanto dura demais, misanstropa demais, russa demais, por exemplo quando dividiu a humanidade (isso nos romances) em criadores, parasitas e burocratas. Murray Rothbard, judeu também, defensor ferrenho do capitalismo também, mas americano, anarquista e pacifista, reprovava seu patriotismo adotado, e comparou o que havia em torno dela a um culto.

Fico pensando no tanto de coisas que já disse aqui, algumas das quais me arrependo por estilo, outras porque aprendi coisas que as negam. Eu mudo de idéia muitas vezes, e mesmo assim estou sempre defendendo ardorosamente o que acredito. Na época da faculdade eu era "de esquerda", bem mais pro lado nacionalisteiro que socialista, mas acho que não muito anti-americano. Achava hipocrisia isso de ouvir rock e ser anti-americano. Pichei no meu caderno do Greenpeace (bidu!) frases como "Yes, nós temos chacinas!". Já me disseram que ouvir eu falando hoje é o mesmo que me ouvir falando 8 anos atrás, e têm razão. Não importa o que eu diga, acho que sei ser convincente.

Eu falei de Ayn Rand e penso que, talvez conhecendo ela melhor, talvez conhecendo Kant melhor, talvez conhecendo Rothbard melhor, possa deixar de achar ela interessante. Eu mudo muito de idéias, mas existe uma coisa em que eu nunca mudei. Mesmo quando era "de esquerda", sempre tive repúdio por idéias relativistas. Os professores podem ter me inculcado muitas coisas, mas essa pílula eu não tomei.

Eu posso não acreditar mais num estado salvador, nem na necessidade do dito "orgulho brasileiro", nem no nosso brilhante futuro como produtor de energia de biomassa (Jesus, como eu dizia isso!). Mas uma convicção eu sempre tive: existe verdade. E é essa a exata razão porque mudo de idéia: eu busco a verdade. Se tivesse me tornado relativista, poderia estar regurgitando o mesmo mingau até hoje, porque a verdade concreta, "científica", não seria suficiente para provar que estava errado. Seria tudo mera questão de um certo "discurso anglo-saxônico", enquanto que nossa "identidade latina" favorece "a verdade do irracionalismo".

Então eu finco o pé nesse ponto: o mais importante é acreditar na verdade. Verdade universal, absoluta e exterior. Só assim se evita ficar boiando no mesmo charco ideológico, tendo os mesmos sonhos piegas a vida inteira.

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