Entre tantas coisas ditas tanto nos textos quanto nos comentários, alguns conceitos pareceram se delinear. A dizer:
- Uma mentira piedosa - Dumont ser o "pai da aviação" - pode ter uma motivação mais positiva que uma verdade cruel.
- Fui injusto e fiz um ataque pessoal a Santos Dumont.
- Todos os nacionalismos tem um caráter parecido.
- Este blog é uma representante do espírito mainardiano de avacalhar o Brasil por avacalhar.
Ótimo porque um sujeito fino, plenamente ocidental e moderno. Nada esquindô. Mas tem outro lado: ele não era um empreendedor, era um escolhido do aparelho estatal. Foi dito que suas idéias ajudaram a fundar a EMBRAER - devia ser uma empresa "nacional", portanto, "estatal". Ela só virou motivo de orgulho nacional quando privatizada. Para a maioria, parece "país" e "estado" são conceitos equivalentes. Dumont é um ícone de gênio aparalhedo, seguindo instruções para um prestígio dado pelo estado, os tais "desafios propostos" de que falei. Mais ou menos como um artista que vive da Petrobrás, do Prêmio Visa e dos apparatchiks dos cadernos culturais. Essa seria uma razão ideológica para não gostar muito dele. Mas o que me irrita, antes de tudo, é que simplesmente é mentira. É mentira mas tem de ser verdade porque se não perdemos o exemplo. Nós, os incompetentes relativos. Nós, as criancinhas.Ele também parte a comparar os nacionalismos mostrando como podem ser positivos. Eu disse que o nacionalismo brasileiro - e repeti isso ad nauseam aqui também, ao longo desses 4 anos - faz questão de ser anti-Ocidental, parecer meio que o indiozinho da floresta. Inclusive porque o Ocidente aprova essa atitude, no mínimo desde que Rosseau se impressionou com os índios tupis levados até a Europa e descobriu-se por aqui que essa era a melhor forma de chamar a atenção deles. O Hermenauta então rebateu que os pais fundadores da pátria americana estavam sendo "anti-Europeus". Comparação esdrúxula. Não apenas eram versados nos iluministas europeus como eles próprios foram ativos escritores iluministas. Eles não fizeram a dança da chuva. Tentaram estabelecer na América seu império da razão. E é por isso que o nacionalismo americano é um nacionalismo mais de idéias que de história, nada de folclore, e menos ainda de genética. Na América todos são imigrantes, e não há igrejas de 1.000 anos na esquina.
Na aparente falta de história ou idéias - na verdade, na negação delas feita a partir do romantismo e reforçada no fascismo - temos aqui um nacionalismo de pratos típicos. O nacionalismo da ilha de Tuvalu. E um nacionalismo coitadinho, que aponta o dedo ora para Portugal, ora para a Inglaterra, ora para os Estados Unidos por todas as mazelas locais. O povo - o índio - é santo, a culpa é dos outros e dos amigos deles.
Por fim, Diogo Mainardi não tem direitos reservados no anti-nacionalismo. Só rapidinho, sem googlear, tenho Paulo Francis e Ivan Lessa. E anti-nacionalismo como princípio, independente do nacionalismo a que se volte contra, é uma idéia filosófica. O nome dela é humanismo. Pouco me importa o Brasil, mas os brasileiros me importam. Me importam enquanto seres humanos, o que eles são muito antes de alguém vir com aquela lata de sardinha para enfiá-los dentro, a tal da "identidade nacional".


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