sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Duas patas, ruim

Duchamp era um falocrata proto-estuprador
Se o que as moças chamam de número 2 é quase que universalmente considerado um gesto animalesco demais para nossa dignidade a-hã humana, o "um" é uma coisa mais tolerável, bonachona, falável. E muito mais ainda para os marmanjos, que o fazem de pé, de roupa e sem sujar a mão - que o assunto favorito de Freud, no manuseio necessário para a função oferece só pele, mais imaculada que a do rosto do amado, moçoilas, porque é fina e não tem pelos.

Quando os Vikings invadiam uma cidade, passavam na faca "todos os que podem mijar contra a parede". O gesto é, de fato, muito simbólico, e é bem provável que na generosa cabeça dos Iluministas, ao considerar a mulher uma versão mais primitiva, mais irracional, ou seja, mais próxima ao animal, do ser humano, deviam ter em mente a enorme deselegância de se ter de fazer as duas coisas na mesma posição - na época, agachado(a), expondo a molidão glútea em sua função primária, tal e qual funkeira carioca ou capa da revista Sexy.

Não é sem razão, portanto, que eu descubro que as feministas radicais fizeram. Ô se fizeram. Leio na wikipedia e no site de Mark Steyn a justa reação de reparação histórica a essa humilhante imposição da natureza: o mijar natural-horizontal-feminino-da-deusa-mãe-natureza contra o canalizado-do-deus-pai-razão-barbudo-autocontrole-civilização-patriarcado. Feministas alemãs, após muito protesto, conseguiram a glória da eqüidade pós-moderna que foi retirar os malditos mictórios machistas dos banheiros das universidades. Agora não tem mais essa de Fritz largar a cerveja na mesa e voltar 30 segundos depois, com um orgulho mal-reprimido diante do espanto admirado de Frida: "Mas já?". "Ja, ja". Claro que logo as feministas perceberam - e não me pergunte como - que os machos, esse estorvo inútil da espécie, esses opressores desalmados, estavam levantando a tampa e mijando em pé na privada. A partir daí foram instalados os "fantasmas do toalete", versão politicamente correta da loira do banheiro que detecta o infrator tentando mijar em pé e traz o Grande Irmão - sim, a voz é de homem - relembrando:

"Ei, urinar em pé aqui é proibido e você está sujeito a multa, então, se quiser ficar longe de problemas, melhor sentar”.

Notaram o tom não-coercitivo, camarada até, o reforço positivo na voz?

Pelo andar da carrocinha do manicômio da Europa, vai chegar o dia em que as feministas vão finalmente descobrir porque os homens fazem tanta guerra. Numa leitura bem Freud, é para evitar que suas mulheres sejam estupradas. Ou vice-versa, mas uma civilização que só sabe mijar sentada tem uma certa desvantagem moral em relação aos Mongóis.

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