Vamos, sem tentar um rigor exaustivo, estabelecer a que tendências levam os termos "liberal" e "democracia".Liberal quer dizer controlar o poder do estado. Isso é feito por meio de leis definidas na forma de hierarquia, com a constituição, que define direitos, acima das outras leis. Como garantia adicional, o sistema liberal tem poderes que se contrabalançam. O que se visa é garantir os direitos individuais, isto é, o sistema liberal é uma forma de impedir que a vontade do Estado, seja ela resultado do desejo da maioria ou de uma oligarquia, se sobreponha ao direito do indivíduo.
Democracia é uma forma de legitimar o Estado, de dizer por que você deve pagar por ele e obedecê-lo. Significa que esse Estado, por representar a vontade plebiscitária da maioria, pode forçar a você realizar os desejos dessa maioria, que resistir a ele é um gesto elitista e egoísta. Significa também que, como você tem o direito - dever na forma aberrante brasileira - de tomar parte no processo eleitoral, você é responsável, culpado por esse Estado.
É engraçado isso da mística da palavra "democracia" hoje em dia. É usada como sinônimo de "bem", "justiça", "piedade". Mas, em absolutamente tudo na vida, esses que usam "democracia" como quem antigamente usava "vontade de Deus" rejeitam o método democrático. Por acaso é de bom tom ter seu gosto musical pautado pela massificação? Filmes? Alimentação? Vestuário? Por que diabos então se confia tão inquestionavelmente o poder do Estado à vontade da maioria? Seria o monopólio da violência um assunto menos relevante do que o que há no seu iPod?
Sim, pode bem ser como Churchill disse, "o pior sistema exceto todos os outros que foram inventados". A vantagem da democracia, me parece, é que cada tirania dura no máximo 8 anos. Mas desconfio sinceramente que estaríamos melhor se ao invés de eleições tivéssemos uma rifa, partida de pôquer ou concurso de natação para pegar um ovo de gaivota numa ilha.





